Espaço Cultural A Próxima Companhia - Rua Barão de Campinas, 529 - Campos Elíseos - São Paulo/SP - (11) 3331-0653

Histórico

A Próxima Companhia, núcleo artístico da Cooperativa Paulista de Teatro, nasce em 2014 a partir das inquietações de cinco artistas: Caio Franzolin, Caio Marinho, Gabriel Küster, Paula Praia e Juliana Oliveira. A trajetória dos integrantes se cruza em 2009  quando passam a integrar o Clã - Estúdio das Artes Cômicas. Após cinco anos de formação, trabalhando e desenvolvendo pesquisas com a direção de Cida Almeida, viram-se estimulados a se organizarem em um coletivo autônomo, a procurar outros modos de direção, processos atorais de criação teatral e buscar fixar raízes e interações em um espaço-sede.

A fundação do grupo em 2014 acontece junto a locação de um espaço para desenvolvimento de seu trabalho, acolhimento de atividades de outros coletivos, ações pedagógicas e apresentações. O grupo se fixa na Rua Faustolo número 101 no bairro da Água Branca e durante dois anos manteve sua residência artística neste espaço independente chamado de Galpão 101. Desapropriado em julho de 2016 para a construção da Linha 6 Laranja do Metrô (obra atualmente suspensa). A nova sede d’A Próxima Companhia é situada desde agosto de 2016 na Rua Barão de Campinas, 529 - Campos Elíseos. A atual sede com maior infraestrutura e com um teatro que comporta 50 pessoas, o Espaço Cultural A Próxima Companhia,  possibilitou a ampliação das ações do grupo, recebendo apresentações públicas de diversos coletivos como Cia. do Tijolo, Núcleo Macabéa, Cia Sansacroma, Oficinas, Treinamentos, Ensaios de outros coletivos como Kiwi Companhia de Teatro, Grupo Esparrama, Legítima Defesa, Casa da Tia Siré, cursos e exposições artísticas. Na sede são realizadas as atividades de ensaio, ações pedagógicas, treinamentos, produção, armazenamento de cenário e aprofundamento da pesquisa da companhia, o que também determina as questões que serão desenvolvidas artisticamente pelo grupo.

 

Por sua formação a partir do teatro popular e da linguagem das máscaras, o grupo desenvolveu uma prática teatral que objetiva sobretudo a interlocução com o público. Uma comunicação que se estabelece de forma direta, com a utilização de recursos épicos e/ou cômicos pelos integrantes do grupo e que caracterizam uma unidade de linguagem na pesquisa destes intérpretes. Tais expedientes, herdados da formação e preparação continuada a partir das máscaras teatrais, narratividade e treinamento energético, demonstram uma fluidez e amplitude nos diferentes trabalhos do grupo que abrange intervenções urbanas, ações artístico-pedagógicas, espetáculos infanto-juvenis, adultos, de rua, para espaços alternativos e teatros convencionais, sempre com a criação de uma dramaturgia própria que dialogue com aspectos da realidade que o grupo vivencia.

 

Neste contexto os processos de criação se iniciam pelo trabalho dos intérpretes do núcleo artístico. O caminho da criação parte de temas sociais do mundo contemporâneo, que motivam os integrantes no sentido de encontrar, por meio da sua linguagem e ofício do teatro, o diálogo e uma forma de tornar públicas certas reflexões com os mais diversos espectadores. Após as primeiras pesquisas teóricas e estéticas, experimentações cênicas iniciais e elaboração de um argumento geral, são convidados outros parceiros para ingressarem nos processos, incluindo-se diretores e dramaturgos que desenvolvam trabalhos que se aproximem da linguagem e/ou temática escolhidas.    

Foi a partir dessa prática que o grupo cria o espetáculo de rua Os Tr3s Porcos, com estreia em 2015, articulando a história da tradição oral Os Três Porquinhos, o Teatro de Rua e a Linguagem do Palhaço. A temática central da peça é a moradia e a especulação imobiliária - antagonistas do direito à cidade e tão recorrentes nas muitas cidades do Brasil e do mundo. A montagem coloca o Lobo como figura alegórica que sintetiza esse sistema de opressão. Este trabalho conta com a direção de Rafaela Carneiro, dramaturgia de Renato Mendes e direção musical de Luciano Antônio Carvalho. A peça por seu caráter popular circula de maneira independente “na base do chapéu” por locais próximos de nossa sede como Minhocão, Praças, terminais de ônibus, ou ainda espaços de resistência e movimentos de moradia e também espaços institucionais como SESC’s e equipamentos públicos de prefeituras.

 

Em 2016 o grupo inicia um processo sobre questões feministas e em março de 2017, o grupo estreia Quarança, com o apoio do prêmio Zé Renato,  que tem como disparadores da pesquisa a violência contra a mulher e como guia a história de Aracy Guimarães Rosa - uma brasileira que em meio a Alemanha Nazista salva centenas de judeus, possui feitos extraordinários e ainda fora companheira do escritor João Guimarães Rosa, que dedica a obra Grande Sertão Veredas à ela, e que serve de inspiração para o universo poético e ambientação do espetáculo. Para a criação deste trabalho foi convidada para a direção Luciana Lyra, direção musical de Alessandra Leão, cenário e figurinos de Marco Lima e muitas outras parceiras e parceiros. A temporada de estreia com dois meses de duração abriu a programação pública do Espaço Cultural A Próxima Companhia e foi acompanhada de uma exposição de artes visuais do Centro Informação Mulher - CIM e Mal-Amadas Poéticas do Desmonte.

 

O mais recente trabalho do grupo Enquanto Chão, peça solo do ator Caio Franzolin que estreou no SESC Ipiranga em dezembro de 2017. Construída a partir da relação com comunidades em processo de apagamento cultural (Canela, em Palmas - TO e Patrimônio, em Uberlândia - MG) o espetáculo traz à cena uma reflexão sobre o discurso do progresso e a resistência destas comunidades por meio de suas festas e ritos, unindo recursos do Teatro Documentário com a técnica da Mímesis Corpórea do LUME Teatro. Neste trabalho a direção é de Rafaela Carneiro, dramaturgia de Solange Dias, direção Musical de Rani Guerra, orientação de Carminda Mendes André e a colaboração de muitos parceiros e parceiras. Este trabalho foi indicado em duas categorias do Prêmio Aplauso Brasil(2017): Melhor Espetáculo de Grupo e Melhor Dramaturgia.

 

A companhia mantém seus espetáculos em repertório e em circulação também os desenvolvidos dentro do núcleo do Clã - Estúdio das Artes Cômicas, como o ÁGUA (2011) com o qual foi contemplado em 2015 com ProAC de Circulação de Espetáculos Infantis e Infantojuvenis e o espetáculo de máscaras expressivas Reminiscor (2013) sobre memória e ancestralidade. Outra vertente do trabalho do grupo e que dialoga com as questões de relação com o público e os espaços são as Intervenções Artísticas e Urbanas que o grupo desenvolve e tem grande reconhecimento enquanto base de trabalho. Durante o segundo semestre de 2018 A Próxima Companhia proporcionou em sua sede um Laboratório de Palhaço e Intervenção Urbana para compartilhamento da pesquisa já desenvolvida e apontamento de novos caminhos para este trabalho.

 

Além dos espetáculos citados, o grupo realiza e tem por base de suas ações Processos Pedagógicos - em sua sede e fora dela - que geram em sua trajetória diversas oficinas, cursos e treinamentos de outros coletivos, artistas e interessados que também criam novos processos e procedimentos neste trânsito do conhecimento e da experiência e que alimentam e são alimentadas pelos processos criativos.  Um exemplo dessa ação é o ciclo de atividades O Humano e O Urbano um seminário temático que reúne pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, artistas de diversas linguagens, lideranças de movimentos e políticos abordando de forma transversal determinado tema. Com mesas, workshops, exibição de filmes, documentários e apresentações artísticas na sede do grupo e espaços públicos.  A primeira edição realizada em julho de 2017 tinha como tema (Re)Existência nas Metrópoles para discutir sobre o direito à cidade e a segunda edição realizada em março de 2018 com o tema Mulheres e (Re)Existências.